quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Não faz sentido...

      Era só sentir o que aquilo representava. Abriu o olho e a alegria não veio de imediato, sentiu apenas as saudades do que ocorria quando menino, que logo ao acordar tinha vontade de pular da cama pelo dia que vinha vindo. Não sentia calor, nem sentia frio, apenas sentia a água caindo lentamente em seus cabelos durante o banho, ou mesmo o sabor de um monótono pão com margarina. Porém estava onde deveria. O vento então batia em seu rosto sem saber o que lhe aguardava, esperando no entanto ver seus amigos que já deveriam ter chegado. Chegava na hora, ou melhor, em cima desta, com um sorriso tímido meio encabulado procurava o seu lugar, aquele onde sempre estava, onde se sentia seguro, no qual encontrava aos seus. As horas passavam, os sonhos vinham e com o toque do sinal despertava, "é melhor ir". Quando ia encontrava outros que assim como ele tinham sonhos simples, um salgadinho, às vezes um sorriso ou um olhar era ganhar o dia, não havia nada planejado, talvez essa fosse a grande aventura. O segundo sinal então mostrava a incrível liberdade de ter alguém que guiasse o seu destino, impusesse regras e protegesse dos perigos. As vezes acontecia, sonhos iam e vinham do nada e quando iam, não havia problema, pois a vida é um improviso.
       O tempo passou, mudou, mudaram os amigos, responsabilidades surgiram, compromissos também. A criança já não é mais criança pois tem que trabalhar, ou não. No ofício aparece uma garota que exige a certeza da incerteza que se tem. Muitas vezes trai-se a sí mesmo por fingir ser o que não se é, por ser quem não se é, por amar a quem não se ama. A grande vantagem de ser inconstante, é que na inconstância no momento tudo é verdadeiro e não é preciso fingir nada, pois tudo está muito claro. A partir do momento em que se lança a bandeira da "senhora" constância sempre se espera atitudes, sentimentos e falas padronizadas.
     Talvez o grande erro é exigir demais de si mesmo em coisas que não tem controle, ou mesmo querer controla-las. As pessoas envelhecem, adoecem, ficam tristes e erram. Os sentimentos mudam, se confundem, aumentam ou acabam. Nada é tão simples. Cada ser possui um universo por dentro, cada pensamento é mais complexo que o mais potente computador. Ai vem as nossas falhas, agora tão difíceis de se auto perdoar, uma vez que a simplicidade de aceitação de uma criança inexiste e a gente não consegue acreditar que fez isto ou aquilo. Talvez se um dia, quando se for mais seguro de sí, dos outros menos se exigirá, pois já terá dentro o que tanto se procura fora.
     Tudo que é agora, só é por que foi um dia, pois o passado muda de acordo com a forma com que é interpretado, ou seja, a atual situação. O estado emocional e inúmeros fatores interferem na leitura do passado. Algo que foi muito ruim pode ser encarado como ameno quando se está em um momento pior ainda. Não importa se agora sente-se o vazio, o que importa é saber onde se está errando e como se fez para se chegar ao buraco. Ai vai se resgatando as coisas de criança, faz-se uma ponte.
    Lá é tudo novidade, e todos são legais, conhecemos bem os outros antes de criticar ou ter apatia. Quando é necessário encarar a vida como um homem, aprende-se a amar como um homem, mas embota-se o poder de sonhar e ir além como uma criança. Se as coisas estão ruim é que deixamos a criança interior embotada e nos afastamos de onde devíamos estar.
    Não apelo mais uma vez para a razão, pois a razão há muito vem sendo usada para muitas coisas vãs, mas para o sentimento que resgata o que é sincero e que vale a pena. É só sentir o que se precisa, controlar, duvidar da razão e voar então, mesmo que no chão, livre em seu ser.

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